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| Especialistas em asma alertam para uso de corticóides inaláveis |
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Por conta desse histórico, Valéria tomou todos os cuidados ambientais recomendados quando o filho nasceu. O quarto de Lucas nunca teve cortinas ou tapetes e bichos de pelúcia foram vetados. Mesmo assim, as crises vieram e, com elas, o sufoco de ter de levar o filho ao pronto-socorro para inalações. E também as visitas constantes aos consultórios pediátricos, para tentar solucionar o problema.
É um tratamento profilático, feito continuamente e por longo prazo. "Não adianta tratar só na hora da crise. Precisamos controlar a doença, e a melhor forma, além dos cuidados ambientais, é com esses corticóides inaláveis, muito eficazes como antiinflamatórios e com pouquíssimos efeitos colaterais", afirma Bernardo Kiertsman, chefe do serviço de pneumologia pediátrica da faculdade de medicina da Santa Casa de São Paulo.
Um dos efeitos possíveis que costumam causar preocupação nos pais é o atraso no crescimento da criança. Mas as pesquisas apontam que esse atraso ocorre apenas no primeiro ano de uso do medicamento e, com o passar dos anos, a criança medicada atinge os parâmetros esperados para sua curva individual de crescimento. "Outra possibilidade, se a inalação é oral, é a colonização de fungos na garganta", diz Borges. Conseqüências como osteopenia (diminuição da densidade mineral dos ossos) podem ocorrer, mas são muito raras, afirma Mallozi.
A asma não controlada também afeta significativamente a qualidade de vida da criança. Beatriz Mayara Gomes Nunes, 8, diz que fica muito nervosa quando tem uma crise. "Não consigo respirar, não durmo, não posso ir à escola", conta. Ela começou a fazer duas inalações com corticóides por dia e, após seis meses sem crises, suspendeu a medicação. Mas, com a chegada deste inverno, teve uma nova crise, que a fez voltar ao consultório médico para avaliar a retomada do tratamento.
Fontes acredita que alguns riscos potenciais ainda precisam ser mais estudados. Ela cita, como exemplo, o impacto na glândula adrenal causado por corticóides. A adrenal interfere em várias funções do organismo, incluindo as responsáveis pela resistência a infecções.
Borges, da SBP, diz que o tratamento com corticóide inalável não é usado em casos de asma leve e intermitente. Também não é comum prescrevê-lo para menores de dois anos, que ainda não têm o organismo totalmente amadurecido e podem ter reações mais severas ao medicamento. IARA BIDERMAN
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