Alergias: o problema crescente
Ao longo das últimas décadas, a ocorrência de alergias aumentou dramaticamente, atingindo dimensões epidémicas. Por isso, as alergias são hoje reconhecidas como um sério problema de Saúde Pública pela Organização Mundial de Saúde.
Existem quase três vezes mais crianças afectadas por asma, alergias alimentares e de pele do que há 30 anos.
Estima-se que a asma, que em mais de 50% dos adultos e em mais de 80% das crianças é de origem alérgica, afecte cerca de 300 milhões de pessoas.
A dermatite atópica (também chamada de eczema), a primeira manifestação de sensibilização alérgica, afecta até cerca de 20% das crianças durante os primeiros dois anos de vida.
Alergias: o que são e o que as provoca?
A alergia deve-se a uma disfunção do sistema imunitário que reage de forma exacerbada e inapropriada a substâncias (chamados alergénios) como as proteínas alimentares, que normalmente são bem toleradas.
Falando de uma forma geral, não se nasce com uma alergia. As alergias adquirem-se ou desenvolvem-se através do contacto com os alergénios. Uma vez que o organismo é sensibilizado, o contacto repetido com os alergénios irá levar aos sintomas alérgicos.
A sensibilização e as alergias aos alimentos são mais comuns na primeira infância, enquanto a sensibilização e as alergias a alergénios inalados aparece um pouco mais tarde.
Alergias: todos os bebés têm algum risco de as desenvolverem
Sabe-se, actualmente, que a predisposição genética desempenha um papel importante no desenvolvimento de alergias. As crianças cujos pais ou irmãos sofrem de alergias encontram-se num grau de risco superior.
Contudo, todos os lactentes têm algum risco de desenvolver alergias, independentemente da história familiar.
De facto, o número total de crianças que sofre de alergias é o mesmo no grupo de baixo risco (sem parentes alérgicos) que nos grupos de médio e alto risco (um ou mais pais ou irmãos afectados).
Esta é a razão pela qual uma prevenção activa das alergias é recomendada para todos os lactentes.
Alergias: alimentação apropriada na primeira infância pode ajudar a preveni-las
Durante a primeira infância, a sensibilização é mais comum aos alergénios alimentares, em particular ao leite de vaca, que pode levar a uma série de manifestações alérgicas, começando, normalmente, pela dermatite atópica (eczema).
Actualmente, a eliminação da dieta da exposição oral ao leite de vaca e outras proteínas alimentares estranhas de origem animal ou vegetal, é considerada pelos especialistas em pediatria como tendo um papel importante na prevenção das alergias.
O leite materno é a melhor e mais natural alimentação para os bebés durante os primeiros meses de vida. Fornece todos os elementos necessários para um bom desenvolvimento físico e mental do bebé e simultaneamente activa e modula o seu sistema imunitário ainda imaturo.
O aleitamento materno com uma duração de pelo menos seis meses e uma introdução tardia dos alimentos sólidos é fortemente recomendada. Treinando suavemente o sistema imunitário intestinal durante os primeiros meses críticos, o leite materno reduz naturalmente a sensibilização aos alergénios e estimula o desenvolvimento de tolerância.
Os lactentes que são amamentados ao peito sofrem de menos alergias do que os alimentados com fórmulas infantis tradicionais.
Recomenda-se também às mães que não fumem durante a gravidez e durante o período da amamentação (e preferencialmente que não fumem nunca) de forma a evitar o desenvolvimento de alergias nos lactentes.
Os lactentes que não podem ser amamentados ao peito deveriam ser alimentados com uma fórmula hipoalergénica (H.A.) na qual as proteínas que podem desencadear alergia se encontram hidrolisadas (quebradas) em fragmentos inofensivos. O conselho do médico é indispensável antes de introduzir uma fórmula infantil.
Diversos estudos clínicos de grandes dimensões conduzidos em todo o mundo por especialistas independentes demonstraram que a alimentação dos lactentes com uma fórmula hipoalergénica (H.A.) durante os primeiros meses de vida reduz o risco de desenvolvimento de alergias em cerca de 50% em lactentes com risco familiar quando comparados com os que são alimentados com uma fórmula tradicional.
Alimentos mais frequentemente causadores de alergias na infância:
- Ovos
- Leite de vaca
- Soja
- Frutos secos
- Peixe
- Trigo
Efeitos preventivos de uma fórmula hipoalergénica (H.A.), comparada com uma fórmula tradicional:
- 50% menos manifestações alérgicas durante os primeiros cinco anos de vida em lactentes com história familiar de alergias.
- 50% menos problemas de pele em todos os bebés até aos dois anos de idade.