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PUBLICAÇÃO Nº 52 – ANO I - quinta 22 de Dezembro de 2006

 

Alergias alimentares nas crianças - Conselhos de prevenção

 

alergias 1
 

 



Estima-se que 5 a 10% das crianças sofram de alergia a um ou mais alimentos. O leite e os ovos aparecem nos primeiros lugares na lista das alergias mais frequentes nas crianças. Mas não são os únicos, sobretudo se contarmos com a grande variedade de aditivos presentes na composição dos alimentos.

Se ambos os pais forem alérgicos, a criança tem entre 60 e 80% de probabilidade de vir a desenvolver alergias. O facto de a criança apresentar risco não significa, forçosamente, que irá desenvolver a alergia e, se tal suceder, pode não ser a mesma dos pais. A prevenção é, pois, a melhor arma de combate às alergias.


Principais alergias alimentares:

Leite
Ovos
Peixe
Cereais
Amendoins
46 %
29 %
7 %
6 %
4 %

    (Fonte: Revista Portuguesa de Imunoalergologia, de Outubro de 1999.)

Dos 0 aos 4 meses

  • A alergia ao leite materno, embora muito rara, é possível. A alergia ao leite de vaca, essa, é muito frequente e fácil de diagnosticar. O tratamento passa por eliminar todos os produtos lácteos, substituindo-os por leite especial (hidrolizado de proteínas). Nalguns casos, a alergia desaparece entre os 18 meses e os 3 anos.
A partir dos 4 meses
  • O ovo é a causa mais frequente de alergias em crianças com menos de 3 anos. A solução passa por eliminar todos os alimentos que contenham ovo. Em metade das crianças, é possível reintroduzir o ovo a partir dos 3 anos.
  • O peixe é outro alimento responsável por alergias. As pessoas que lhe são alérgicas, além de não poderem consumi-lo, devem evitar a inalação dos seus vapores, quando está a ser cozinhado. Geralmente, esta alergia não desaparece com o tempo.
  • O amendoim é a quinta causa de alergias nas crianças portuguesas. Só existe um tratamento possível para os alérgicos: eliminá-lo tanto da alimentação como dos óleos, dos champôs, dos cremes para a pele, etc.

Conselhos de prevenção

Os primeiros meses de vida são os mais sensíveis, uma vez que a parede intestinal do recém-nascido permanece profundamente imatura até por volta dos 2 anos. Uma alergia alimentar pode, no entanto, manifestar-se em qualquer idade. Vejamos os principais conselhos de prevenção.

  • Amamente, exclusivamente (sem a introdução de outro alimento) e durante o maior período de tempo possível. Quando mantido até aos 4 ou 6 meses, o aleitamento materno reduz o risco de eczemas e de asma.

  • Os leites hipoalergénicos são aconselhados para crianças com predisposição para alergias (porque os pais sofrem deste problema). Discuta a questão com o pediatra do seu filho, mas o mais provável é que este lhos recomende logo que a criança comece a consumir leite artificial. Em caso de alergia ao leite de vaca, o melhor será optar pelos leites hidrolizados de proteínas.

  • Deve evitar-se o leite de vaca, pelo menos, até a criança fazer um ano. Introduza-o mais tarde se a alergia já se tiver manifestado. Geralmente, esta desaparece entre o segundo e o quarto ano de vida.

  • Introduza os alimentos novos com moderação. O ideal será não o fazer antes do sexto mês e, mesmo a partir desta idade, introduza apenas um alimento novo de cada vez, para detectar facilmente a origem de uma eventual reacção alérgica.
    A fruta e os legumes devem ser cozidos.
    Os alimentos com glúten não devem ser introduzidos antes dos 6 meses e os frutos exóticos nunca antes de a criança fazer 1 ano.
    Nada de sumo de laranja e de óleos cuja origem não seja clara.
    Na altura de introduzir a carne, comece pelo borrego, vaca e peru.
    Evite o frango, se a criança tiver alergia aos ovos.

  • Cuidado com os alergénios dissimulados, nomeadamente nos produtos industriais. Alguns podem conter vestígios de amendoins, ovos ou outros ingredientes susceptíveis de desencadear alergias em pessoas sensíveis. Leia, por isso, atentamente os rótulos.

  • Por fim, se o seu filho é uma criança de risco, fale com o pediatra sobre o assunto logo na primeira consulta. Quando surgem alergias, convém consultar um alergologista. Existem vários exames para despistar os agentes alergénicos e tratamentos variados, embora nenhum seja capaz de curar o problema. Na melhor das hipóteses, consegue-se reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas. Para as alergias alimentares, por enquanto, apenas existe uma solução: um regime alimentar que exclua os alimentos responsáveis.


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